Gastroplastia: um caso sem volta


Um dos artigos daqui do Emagrecer que mais “dá trabalho” é o de título Os perigos da redução de estômago, em que cito um programa da Oprah acerca dos efeitos psicológicos da redução de estômago, principalmente relacionados a substituir um vício (em comida) por outro (em álcool, sexo, drogas, etc).

Muitas pessoas ridicularizam meu artigo, principalmente por ele ser inspirado num programa “popular” e sensacionalista como o da Oprah; outros dizem que eu deveria era incentivar as pessoas a serem felizes, em vez de assustá-las com narrativas desmotivadoras.

Hoje, contudo, recebi um comentário extremamente pertinente, de uma leitora nossa chamada Mari. Ela conta o que aconteceu com seu sobrinho de apenas 17 anos. Achei o comentário tão especial que resolvi publicá-lo aqui na forma de artigo, em vez de deixá-lo no meio dos outros comentários daquele texto. Ele segue abaixo na íntegra, apenas com correções menores de forma (como espaços após a vírgula e o ponto, e separação de parágrafos) para um melhor entendimento. Ao fim, deixo minha resposta à Mari.

Eu e minha família estamos nos recuperando de uma lamentável perda. Meu sobrinho de dezessete anos veio a falecer após seis dias de cirurgia [de redução de estômago].

Tudo correu bem durante a mesma, não havendo necessidade de CTI: foi direto para o quarto. No terceiro dia pós cirúrgico teve alta. Já em casa, demonstrava sinais de fraquezas e os vômitos eram constantes e preocupantes, com barulhos (ânsias) estarrecedores. Aparentava uma certa decepção com aquelas reações incômodas. Tudo que ingeria (somente líquidos) não parava em seu estômago.

Seus pais entraram em contato com o médico, que dizia serem normais estas reações. No dia 08 de dezembro de 2008, quando seu pai o auxiliava no banho, teve um súbito desmaio. Fiquei na tarefa de pedir socorro, pois já imaginava o pior e tinha visto ele sofrer muito nestes dois dias que retornara para casa e queria me poupar de futuros traumas, Deus sabia que não iria suportar.

Meu cunhado apareceu o mais rápido possível com carro para levá-lo ao pronto socorro. Infelizmente o serviço de atendimento de urgência da minha cidade é um órgão incompetente, e sugeriu que o levássemos a unidade de atendimento de urgência mais próximo da minha residência e não foi submetido aos primeiros socorros, que provavelmente (talvez) seriam inutéis, pois segundo algumas pessoas que nos ajudaram a transportá-lo até o carro já demostrava sinais de óbito.

No P.S. tentaram reanimá-lo, mas infelizmente os médicos constataram sua morte. Está sendo muito difícil para toda a família, jamais imaginávamos perder alguém tão jovem na família ,cheio de sonhos.

Com muita fé em Deus estamos dando força um para o outro, fazemos parte de uma família numerosa (15 filhos), e sabemos que podemos dividir esta dor. Seus pais e irmãos aos poucos estão sendo refrigerados pelo pela fé que têm em Deus. Temos a consciência que o Nosso Amado, mesmo que na sua eloquência nos fará uma falta enorme, um vazio… faltará sempre um pedaço de nós.

Antes da cirurgia ele estava pesando 138kg. Revendo o álbum de família percebi o quanto seu físico o incomodava: nas reuniões em família ficava sempre nos cantinhos e com os mesmos primos, que têm mais ou menos a sua idade.Sinto muito, diante do meu amor incondicional de tia, não ter percebido, e enxergado o quanto se sentia, talvez “diferente” e rotulado pelos olhares de reprovação de uma sociedade que idealiza somente biotipo físico dentro de uma normalidade padrão.

Fazer esta cirurgia não foi uma decisão de um dia para o outro. Foram três meses de tratamento físicos e psicológicos. Estamos agora na fase do “SE” (se tivesse feito isso, se não tivesse feito aquilo), elaboramos hipóteses questionando sobre a cirurgia e sua eventuais complicações. Segundo sua mãe, ao ir para o hospital fazer a cirurgia, no percurso, estava muito feliz. Depositara nela (cirurgia) toda sua esperança de ter uma vida feliz e de qualidade, mas o resultado não foi como esperávamos. Na verdade, sentia-me insegura quanto à cirurgia, pois já havia escutado muitas histórias negativas por aí. Sou de uma família com tendência a obesidade, inclusive eu mesma estou na luta para emagrecer desde a minha adolescência, vivo no temido efeito ioiô. Apesar de passar por todas as dificuldades de uma pessoa acima do peso em todos os sentidos, não imaginava que o nosso Teteuzinho era vítima dos mesmos conflitos pessoais que vivi e vivo, pois o aceitáváaos acima de qualquer situação, e erramos (talvez) por amá-lo demais. A cirurgia, no entanto, pode ter sido prematura.

O que nos conforta é o fato de trabalharmos com a possibilidade dele correr risco de morte com o seu sobrepeso. A cirurgia não foi uma medida acertada e feliz, mas poderia ter um ataque cardíaco a qualquer hora, pois não há coração que aguente. E aí…c omo ficaríamos se ele não tivesse tentado?

Mas só sei de uma coisa: redução de estômago na minha família hoje é um assunto OFF. Sabemos que cada caso é um caso, mas diante dessa situação optamos trabalhar com outras possibilidades.

Forte abraço!

Orem, pensem, pesquisem, orientem-se antes de tomar qualquer decisão que possa mudar sua vida e das pessoas que os cercam. Em sua orações lembrem-se de nós!

Um 2009 repleto de saúde e paz!

É um bocado complicado dizer qualquer coisa para quem está passando por um drama destes sem correr o risco de parecer um imbecil superficial e prepotente. Só quem perde um filho (ou sobrinho, ou qualquer outra pessoa querida) sabe o tamanho da dor que uma perda destas implica.

É natural que as pessoas fiquem formulando hipóteses do que poderiam ter feito para evitar o problema, pois é natural que se culpem pelo acontecido. É natural que percebam agora os sinais evidentes de que o menino não se aceitava como estava, a despeito de a família só enxergar o quão maravilhoso ele foi enquanto no seu convívio.

Mas esse episódio, Mari, tem de servir para alguma coisa, e que seja para alertar outras famílias que têm pessoas com problema de sobrepeso que depositam todas suas esperanças na gastroplastia. Que sirva esta dor toda para lembrar às pessoas que não importa a técnica escolhida, o risco sempre vai existir, mesmo quando o profissional escolhido é de inegável competência.

A vida tem que seguir, Mari. E fique certa de que sua família estará incluída nas minhas próximas orações.

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Gastroplastia: um caso sem volta

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90 comentários

  • Aninha:

    Me desculpem, mas o brasileiros são burros, incluindo eu, que sou brasileira. Gastoplastia é questão de raciocínio. Se nos EUA e nos países da Europa os médicos só fazem em último caso, porque aqui no Brasil fazem em tudo quanto é de gfordinho? A resposta fica com vocês. Usem a inteligência e não condenem a gastoplastia 100% pois ela tem suas indicações, mas não concordo com IMC. Vc pode estar obeso e perder sem cirurgia. Eu perdi 50 quilos por minha propria conta. e dai?

  • Ana Claudia:

    Ola meu nome é Ana Claudia moro em Araras-SP peso 125 Kg, me sensibilizei muito com o depoimento, mas ele morreu tentando melhorar de vida como ela mesmo disse nas reuniões de familia ele sempre ficava nos cantos, eu sei o q é isso é muito duro quando nós mesmo não se aceita q é o meu caso, tenho por volta de 10 a 15 conhecidos q fizeram essa cirurgia e q todos deram certo por isso q leio muito, muito mesmo e estou confiante que DEUS esta comigo e que vai dar tudo certo abril/2012 eu vou operar, depois retorno dizendo como foi. Beijos a todos.

  • Marineide:

    tenho 41 anos,meu nome é Marineide, to quase marcando minha cirugia bairtrica,e tenho fé em DEUS,que td vai dá certo,que tds nós sejamos abençoados e que essa cirurgia é mas uma chance de sermos mas felizes!!

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