Anorexia: o outro lado da obesidade

Por incrível que pareça, é um desfile de moda.

Nós, gordos, enquanto ainda não resolvemos aceitar que somos os únicos responsáveis pelas nossas próprias escolhas, costumamos achar que por mais que os outros tenham problemas, nada se compara ao quão terríveis são os nossos. Revoltados, os gordos costumam hostilizar quem é magro, muitas vezes atribuindo a estes preconceitos que nem sempre lhes são legítimos.

Se estar acima do peso considerado “normal” é sinal de problemas, estar abaixo não é menos preocupante. A “cultura da magreza” que vem nos assolando já há algumas décadas vem criando legiões de pessoas que deixam de se alimentar, ou que adquirem o hábito de forçar o vômito após comer (bulimia), a fim de não engordar.

Admito que sou um sujeito cheio de preconceitos (por exemplo: quem escreve “naum” e/ou “aki” não tem o menor crédito comigo), e na minha insensibilidade era comum eu associar anorexia exclusivamente a futilidade.

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A Dieta da Gelatina

Quando vou ao supermercado, uma das minhas atividades recreativas prediletas é, sem dúvida alguma, ficar lendo as capas das revistas que eles pões próximo aos caixas, para que os compradores eventualmente acabem se interessando por aquele lixo todo e levando por impulso uma revista para casa. Já estou craque de saber novidades da novela (por exemplo: Maria do Céu grávida de Halley), que o casamento da Juliana Paes foi um escândalo e que a Caras tem fotos do casamento da Sandy.

Algumas revistas, cujos nomes são irrelevantes (para mim), e por isso mesmo não os guardo, costumam trazer nas matérias de capa dietas milagrosas, com fotos ilustrativa de mulheres (sempre mulheres) que emagreceram dezenas e dezenas de quilos em um tempo relativamente curto, como que a emprestar credibilidade para os absurdos que as revistas pregam.

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